O que você sabe sobre a dieta alcalina?

Sabia o que é o pH dos alimentos e como se beneficiar da dieta que tem como fonte alimentos ricos em minerais alcalinos.

– O que é pH dos alimentos?

Primeiramente, vamos definir “pH”. Este é o potencial hidrogeniônico ou potencial de hidrogênio. Uma característica de todas as substâncias determinada pela concentração de íons de hidrogênio (H+). É um índice que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer, sendo uma escala logarítmica que varia de 0 a 14. Quanto menor o pH de uma substância, mais ácida esta substância será (zero é a acidez máxima), ao passo que, quanto maior o pH, mais alcalina ou básica será (valor 14, alcalinidade máxima). O pH 7 indica que a substância é neutra. 

Quando se fala, especificamente, de pH dos alimentos e uma dieta alcalina, em geral, refere-se à capacidade do alimento em produzir “resíduos” mais ácidos ou mais alcalinos após serem consumidos e não do pH do alimento em si. Ou seja, quando ingerido, é o potencial daquele alimento para acidificar ou alcalinizar o organismo a partir dos produtos gerados da sua digestão. Por exemplo, o limão e o tomate, apesar de serem alimentos, por si só, ácidos, quando são ingeridos, produzem “resíduos” básicos advindos do seu processo digestivo. Portanto, o limão e o tomate são alimentos com o potencial de alcalinizar o meio – alimentos alcalinizantes, ao passo que o leite de vaca, cujo pH é básico, quando ele é ingerido, produz “resíduos” ácidos da sua digestão e, portanto, é considerado um alimento acidificante. 

E qual a importância de conhecer esse pH dos alimentos? A maioria das nossas células e fluidos possui um pH básico, assim como nosso sangue tem um valor ligeiramente alcalino de 7,3. Do mesmo modo que nosso organismo utiliza mecanismos para regular a temperatura corporal, de forma que se mantenha um valor determinado, ele faz o mesmo para a manutenção da alcalinidade sanguínea. E um dos fatores que determinam o pH do sangue é o alimento ingerido. Portanto, é necessário que haja equilíbrio na ingestão de alimentos ácidos e alcalinos, assim como em suas quantidades, para que se mantenha o equilíbrio ácido-alcalino do nosso corpo.

– Em que consiste uma dieta alcalina? Quais seus benefícios?

Essa é uma dieta baseada em pesquisas realizadas pelo médico americano Robert Young e, que por sua vez, levaram a nutricionista Vicki Edgson e a chef Natasha Corrett a publicarem o livro “Honestly Healthy” “Eat with your body in mind, the alkaline way”, o qual se tornou uma febre entre as celebridades. No início do século XX, estudiosos observaram que o consumo de frutas e vegetais, em detrimento dos processados e industrializados, contribuíam para a saúde humana. Em função disso, passaram a ser realizados estudos fisiológicos que buscavam entender o balanço ácido-básico, como as pesquisas do Dr. Young, que descobriu a necessidade de o corpo se manter alcalino para funcionar melhor.

A dieta alcalina consiste na ingestão de alimentos que mantenham o pH do sangue entre 7,36 e 7,42. Por ser esta a faixa de pH ideal para que o plasma sanguíneo atinja no organismo a sua melhor performance, transportando plenamente todos os nutrientes e com rapidez, acelerando, assim, o metabolismo. Por essa razão, é necessário o consumo de alimentos alcalinizantes, que são todos aqueles capazes de equilibrar a acidez do sangue, tornando-o menos ácido. Então, essa dieta favorece a saúde e, consequentemente, a desintoxicação do corpo, de modo a proteger melhor todo o organismo e, até mesmo, do desenvolvimento de gripes ou dores de garganta. 

A proposta dessa dieta é aumentar o consumo de alimentos ricos em minerais alcalinos (cálcio, magnésio, potássio e sódio): azeite de oliva, óleo de peixe, chá verde e branco, grãos integrais, amêndoas, inhame, raízes, lentilha, melão, brócolis, repolho, maçã, mamão, frutas cítricas, folhas verdes, legumes, milho verde, abobrinha, quiabo, chuchu e bebidas que não contenham cafeína ou açúcar, como suco de vegetal fresco, água, água de limão, chá de ervas e evitar os alimentos ricos em ácidos ou acidificantes, como refrigerantes (incluindo água com gás), café, chá-preto, chocolates, açúcar e adoçantes, amendoim, feijão, ervilha, carnes em geral (especialmente vermelhas ou processadas), mariscos, grãos refinados (farinha de trigo, massas, pão branco), todos os produtos processados, leite e derivados (em especial integral).

Pode parecer complicado, mas você nem tem que decorar todos os alimentos ácidos e alcalinos para obter os benefícios dessa dieta. Você só precisa se concentrar em comer mais frutas e verduras frescas e reduzir carnes, laticínios, refrigerantes e junk food (comida “lixo”; aquela não saudável, rica em gorduras, sal ou açúcar, a exemplo dos hambúrgueres, frituras, pizzas, tortas e doces), tanto porque ela permite a ingestão de até 30% de alimentos acidificantes como pelo fato de alguns desses alimentos fornecerem nutrientes valiosos e, portanto, não podem ser completamente descartados da dieta, a exemplo do peixe, feijão, leite e derivados (preferir os desnatados, pois são pouco acidificantes). Vale lembrar que uma alimentação saudável e equilibrada é a maior prevenção contra doenças!

– Por que ocorre diminuição da retenção de líquidos com esse método?

Os estudos recentes reforçam que uma dieta com equilíbrio ácido-básico otimiza o metabolismo, melhora a capacidade do organismo em eliminar toxinas e, assim, diminui a retenção de líquidos pelo corpo, ou seja, desempenha plenamente suas funções fisiológicas. Isso, consequentemente, contribui para o processo de emagrecimento, além do fato de promover uma dieta equilibrada e pobre em açúcares e gorduras.

– Ela é contraindicada para pessoas que realizam atividades físicas?

Não. A dieta alcalina não é contraindicada para pessoas que realizam atividade física, entretanto, é preciso ter cautela, pois essa é uma dieta que se propõe a evitar carnes em geral (principal fonte de proteínas) e carboidratos simples (massas brancas como pão, biscoitos, pizza e macarrão). E, resumidamente, essa pessoa necessita de um bom aporte protéico e de carboidratos (principal fonte de energia), senão perderá massa muscular, entre outras consequências como fadiga muscular, cãibras, maior sensação de cansaço ou mesmo tontura e desmaio. Então, como proceder? Procurar um nutricionista, pois ele é o profissional competente para orientar e calcular a dieta adequadamente.

Além disso, o estresse físico pode levar a uma condição corporal de excesso de acidez e de radicais livres, que, se não forem devidamente controlados, podem enfraquecer todos os sistemas do corpo e que, por sua vez, podem gerar uma predisposição a doenças. Em contrapartida, uma dieta alcalina promove um pH equilibrado no organismo e um aporte adequado de cálcio e magnésio, o que permite uma função fisiológica plena e maior capacidade para eliminação de toxinas. Isso tudo, por sua vez, promoverá treinos mais eficientes e melhores resultados. 

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